sexta-feira, 21 agosto , 2026

A culpa de Barbosa

Toda a vez que vou a Montevidéu para participar das reuniões do Parlamento do Mercosul (Parlasul),  brinco com meus colegas uruguaios que, em toda a história daquele país, só houve 11 pessoas más: Maspoli, Matias Gonzales e Tejera; Rodriguez Andrade, Obdulio Varela e Gambeta; Gighia, Julio Peres, Miguez, Schiaffino e Moran.
 
Foram esses “11 homens maus” que derrotaram o Brasil, naquela dolorosa final de 16 de junho de 1950. Quando bastaria um simples empate para sermos campeões, perdemos por um inexplicável (e inaceitável) 2 a 1.
 
O Brasil tinha uma seleção fantástica, que goleou a Suécia por 7 a 1 e a Espanha por 6 a 1, com  quase duzentas mil pessoas no Estádio do Maracanã, cantando uma famosa marchinha de carnaval: “eu fui à tourada de Madri, parará timbum, timbum…”
 
Era uma geração de ouro, que tinha craques insuperáveis, como Bauer, Zizinho, Ademir Menezes, Jair da Rosa Pinto.
 
O goleiro era Moacir Barbosa, que, perto de morrer em 7 de abril de 2000, disse a amarga frase: “No Brasil, a pena máxima para quem comete um crime é de 30 anos. Estou cumprindo 50 anos de punição porque sofri aquele gol da bola cruzada por Gighia”.
 
Fechando o gol daquele fantástico esquadrão do Vasco da Gama, que o povo do Rio de Janeiro chamava de “expresso da vitória”, foi campeão carioca de 1945, 1947, 1949, 1950, 1952 e 1958.  Teve, sempre, atuações notáveis, que o tornaram,  (indiscutivelmente!) o melhor goleiro brasileiro daqueles tempos.
 
Com, praticamente, a mesma seleção brasileira de 1950, foi campeão da Copa Sul-americana de 1949 (hoje Copa América), quando o Brasil assumiu a liderança do futebol no nosso continente, que, há décadas, pertencia à Argentina, com craques inolvidáveis, como Pederneira, Labruna e Lostou.
 
Por não deter aquele chute de Gighia, Barbosa foi sentenciado como o grande responsável pela derrota brasileira. E viveu o resto de sua vida com esse estigma.
 
Ninguém acusou o grande centroavante Ademir por não fazer os seus gols, como nas partidas anteriores. Ninguém cobrou, sobre o Uruguai, uma nova goleada, como nas estupendas atuações brasileiras contra a Suécia e Espanha.
Ninguém perguntou por que a nossa seleção fez apenas aquele único gol (ainda, assim, em impedimento), anotado pelo ponta-direita Friaça.
 
Simplesmente, crucificaram Barbosa, que era o goleiro. Goleiro não pode falhar, ainda mais em jogo final de copa do mundo! Mas, naquela condenação estava o fato de Barbosa ser negro, condição que era tratada pejorativamente, até que o valor dos jogadores afrodescendentes se impusesse em 1958 e 1962, com os triunfos de artistas da bola, como Djalma Santos, Didi, Garrincha e Pelé.
 
Ao iniciar-se mais uma Copa do Mundo, é preciso que não tenhamos aquele sentimento arrogante de que seremos, sem dúvida, campeões. E se não o formos, não encontremos um novo “vilão”, como fizemos com Barbosa, em 1950; e com Toninho Cerezo – por sinal, outro afrodescendente – em 1982.
 
Na verdade, com os estádios lotados, não custaria nada exibir nos telões das 12 subsedes da Copa, algumas das muitas defesas incríveis de Barbosa. Seria uma forma de refazer o erro histórico que cometemos com esse grande atleta brasileiro. 

Continue lendo

Presidente do CIEE/SC vem a Tubarão para apresentar resultados e acompanhar formatura de jovens

FOTO CIEE/SC Divulgação Notisul Tempo de leitura: 3 minutos O presidente do Centro de Integração Empresa-Escola de Santa Catarina (CIEE/SC), Luiz Carlos Floriani, estará em Tubarão...

Pelo Estado – Gaeco deflagra operação de combate à fraude tributária 

 Nesta quinta-feira, 20, o Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO), do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), deflagrou a Operação “Labirinto Fiscal”. A investigação apura a atuação de um grupo suspeito de praticar crimes contra a ordem tributária e lavagem de capitais por meio da geração indevida de créditos de ICMS. Segundo a apuração, o esquema investigado estaria baseado no superfaturamento de insumos adquiridos por uma empresa fabricante de produtos junto a outra empresa vinculada ao mesmo núcleo empresarial, sediada em Manaus/AM. A estratégia teria sido utilizada para ampliar artificialmente os créditos tributários decorrentes das operações, gerando vantagens fiscais indevidas. De acordo com informações da Secretaria de Estado da Fazenda, as irregularidades investigadas podem ter causado prejuízo superior a R$...

Operação apura fraude fiscal com prejuízo acima de R$ 500 milhões em SC

FOTO MPSC Divulgação Notisul Tempo de leitura: 3 minutosO Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO) deflagrou, na manhã desta quinta-feira (20),...

Policial penal transforma 19 anos de vivências no sistema prisional em livro

Depois de 19 anos trabalhando no sistema prisional de Santa Catarina, o policial penal Vlademir Pacheco Custódio encontrou na literatura uma forma de registrar...

PM atende 127 ocorrências em 24 horas e destaca cinco casos no Sul de SC

FOTO Notisul Tempo de leitura: 3 minutos A Polícia Militar atendeu 127 ocorrências em 24 horas na região, entre as 7h de quarta-feira (19) e as...

Operação mira falsa central de plano de saúde após golpe contra moradora de SC

FOTO PCSC Divulgação Notisul Tempo de leitura: 2 minutos A Polícia Civil de Santa Catarina deflagrou nesta quinta-feira (20) a Operação Falsa Central Médica, contra um...

Mulher que fingiu ter 12 anos aguarda sentença em SC

A audiência de instrução e julgamento da mulher de 38 anos acusada de fingir ter 12 anos ocorreu na quarta-feira (19), em Santa Catarina....

Novas regras da Lei Seca regulamentam pré-teste; entenda

As novas regras da Lei Seca começaram a valer em todo o país e regulamentam o uso do pré-teste ou teste passivo de alcoolemia...